"Para haver um diálogo, é preciso não uma, mas duas mentes. Sócrates não faz pregações nem monólogos, ele faz perguntas e dá respostas. O diálogo é um relacionamento interpessoal contínuo e, não raro, dramático - trata-se de uma história. Indagar é uma ação muito mais cheia de vida do que discursar, pois é o raciocínio ocorrendo em tempo real. Dar uma aula ou fazer uma pregação sobre um tema implica que o raciocínio já tenha ocorrido, e agora está apenas sendo transmitido para outra pessoa. A 'dialética' socrática nos mostra o caminho e o destino, nos mostra o processo do pensar (e nos inclui nele como atores), processo esse que é tão importante, e sem dúvida tão interessante, quanto o resultado [.]. Os diálogos deste livro são imitações imperfeitas dos diálogos socráticos conforme transmitidos por Platão, e o meu Sócrates é uma imitação imperfeita do Sócrates real. Meu Sócrates, assim como o real, emprega o famoso método socrático de ensino, mas não o tempo todo - ele não é apenas um personagem feito para encarnar o método. É também um amigo, um mentor e um guru para seu aluno Nat Whilk. Esse Sócrates fictício sou eu. O método, conforme usado por Platão, é muito mais sofisticado do que o que aparece nas conversas entre os meus dois personagens. Por isso aqui também me adentrarei em seu conteúdo mais completo, do qual esses diálogos são imitações parciais".