Há muito debate econômico, social e político sobre o que é, afinal, o modelo econômico chinês. Elias Jabbour e Roland Boer apresentam em Poder e socialismo uma discussão aprofundada sobre o gigante asiático. Com teoria sólida e baseada em dados, conecta a economia do projetamento ao modelo socialista chinês. Elias Jabbour dá sequência ao debate iniciado em China: o socialismo do século XXI. Lançado em 2021, em parceria com Alberto Gabriele, a obra traz ao leitor uma abordagem materialista, com análise peculiar das relações de propriedade e das ferramentas de planejamento vigentes no país. Já em Poder e socialismo, escrito em parceria com Roland Boer, a dupla aprofunda as questões tratadas no primeiro livro e explora a nova economia chinesa enquanto forma histórica mais avançada de nossos tempos, enfatizando agora aspecto político e a estrutura de governança do país. Sem ignorar as contradições que precisam ser analisadas e criticadas, os autores trazem para o debate o modelo econômico, político e social que possibilitou que um país com quase 1,5 bilhão de pessoas pudesse alcançar uma das taxas de crescimento mais estáveis da história moderna, com a criação de uma das principais bases industriais e científicas do mundo, além de se transformar de um dos mais pobres países na segunda economia do planeta. Trecho"Diante da multidimensional crise no Ocidente e uma época de mudanças qualitativas globais, podemos dizer que vivemos o ''''momento da filosofia'''', um momento em que todos os pensadores, empoderados das características das leis de movimento de cada nação e ocupados com o progresso humano, devem ser chamados ao resgate da civilização e da afirmação do anti-imperialismo como causa humanista basilar, da afirmação da nacionalidade dos povos oprimidos e seu direito ao desenvolvimento e à estratégia socializante. É irresistível atribuir ao papel protagonista da filosofia na governança chinesa uma das razões basilares do sucesso do socialismo com características chinesas. E filosofia, aqui, é entendida não como um mero exercício de construção de sistemas de pensamento, mas sim, muito além disso, como devoção a atividades de construção da vida e de sociabilidades de nível superior. Não uma forma, comum no Ocidente e em sua tecnocracia, de separação entre teoria e prática".