O papa João XXIII convocou o Segundo Concílio do Vaticano com a preocupação de inserir a Igreja no mundo de hoje e com ele dialogar. Os textos conciliares ofereceram sugestões claras e passos concretos nessa direção. A visão de Igreja como Povo de Deus que caminha na história, exige que seja anunciada a presença do Reino de Deus no mundo atual, testemunhando a encarnação da Palavra, Jesus Cristo. Todavia, não demorou para que a hierarquia voltasse a se fechar na preocupação de defender a sã doutrina, esperando que, por si só, ela fortalecesse a fé dos fiéis. A prática não confirmou tal esperança. Sempre mais féis católicos se desligaram da sua Igreja, ou para viver uma religiosidade sem qualquer vínculo institucional, ou para buscar em outras igrejas, respostas e soluções para seus problemas e questões pessoais. A evasão aumentou com a publicação de casos de pedofilia dentro do clero católico. Desde sua eleição o Papa Francisco dedica-se à superação dessa crise. De um lado, combate o clericalismo da hierarquia, que fecha a Igreja em si mesma e, do outro lado, convida os católicos a saírem do prédio da igreja para irem ao encontro das realidades do mundo contemporâneo. Esse livro tenta mostrar a grande preocupação presente nas Cartas de Paulo e dos demais Apóstolos, de as comunidades acolherem o perdão que Jesus ofereceu aos seres humanos por meio da sua morte e ressurreição, a fim de que testemunhem, concretamente, o amor ao próximo em seu ambiente. A partir do perdão se abrea possiblidade de humanizar o ser humano. Na situação atual da Igreja, acima de tudo, o anúncio e o testemunho prático do perdão põem em evidência a vida comunitária como característica autêntica dos cristãos. Pela sua essência, a Eucaristia é a constante terapia da comunidade. Ela torna consciente o pecado, que surge do inconsciente humano, para tornar consciente a valorização da vida humana e a prática do amor ao próximo. Na tarefa de tornar consciente o que atua de forma inconsciente na Igreja, a Psicanálise pode oferecer ajuda preciosa. Após 2000 anos de concentração na defesa prioritária da doutrina, talvez tenha chegado o momento histórico em que a prática do mandamento principal do cristão, do amor ao próximo, seja a missão prioritária!