Este livro é um resultado do projeto GENgiBRe, "Relação com a natureza e igualdade de gênero. Uma contribuição à teoria crítica baseada em práticas e mobilizações feministas no Brasil". Esse projeto foi desenvolvido graças a uma parceria entre váriasinstituições do Brasil e da França: Institut de Recherche pour le Développement (Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento, IRD, França), Universidade Federal de Viçosa (UFV, Brasil), Centro de Tecnologias Alternativas da Zona da Mata (CTA-ZM, Brasil), Sempreviva Organização Feminista (SOF, Brasil) e Universidade de Toulouse Jean Jaurès (UTJJ, França). Recebeu financiamento da Agence Nationale de la Recherche (Agência Nacional de Pesquisa, ANR, França; projeto ANR-20-CE41-0002-01).O Brasilé um dos principais fornecedores de matérias-primas para o resto do mundo, além de ser um ator importante nas políticas climáticas e ambientais internacionais. Entre promessas de renda, evidências de contaminação (agrotóxicos, mineração) e de destruição ambiental (erosão dos solos, desmatamento, colapso da biodiversidade) e dúvidas sobre as soluções propostas (pagamentos por serviços ecossistêmicos, mercados de carbono), as famílias e as comunidades estão divididas. A nível local, a linha divisória entre a integração a diversos tipos de mercado e o trabalho de cuidado socioambiental está estreitamente ligada às formas dominantes de masculinidade e feminilidade. Entre os dois, a agroecologia é, a um só tempo, uma resistência à mercantilização e um processo de transformação de mulheres e homens.