Sob o sol de Johanesburgo: Mulheres negras e a luta do Movimento Negro Brasileiro contra o Apartheid (1977-1990), da professora doutora Fabiana Vieira da Silva, apresenta uma nova perspectiva sobre a luta contra o racismo no Brasil, marcada por três eixos fundamentais. Primeiro, a internacionalização do movimento negro, o qual inseriu o Brasil como parte ativa na construção de uma consciência negra diaspórica. Segundo, a formação de redes de solidariedade negra durante o regime do apartheid, que impulsionaram a elaboração de propostas antirracistas baseadas na realidade vivida pela população negra ao redor do mundo. E, por fim, o protagonismo das mulheres negras brasileiras na formulação de políticas de combate ao racismo, especialmente durante a ditadura militar, ampliando pautas que seguem essenciais na luta pela igualdade racial até os dias de hoje.Ao se conectar com a resistência sul-africana na segunda metade do século XX, a militância negra brasileira e, sobretudo, o movimento de mulheres negras perceberam como as políticas segregacionistas impactavam profundamente o cotidiano da população negra, seja no Brasil ou na África do Sul, influenciando educação, o mercado de trabalho, moradia, relações afetivas, padrões estéticos e, sobretudo, as possibilidades de ocupação dos espaços de poder. A luta contra o apartheid foi, ao mesmo tempo, uma denúncia ao racismo global e suas formas de manifestação em diferentes realidades fronteiriças e um instrumento estratégico para repensar as políticas internas do Brasil em seus múltiplos aspectos, especialmente no que diz respeito ao lugar que o racismo destina à população negra e aos caminhos antirracistas propostos por homens e mulheres negros na década de 1980 para subverter esse processo.