Aos focos de preocupação e aos perigos que se buscam hoje evitar no Ocidente correspondem, de maneira cada vez mais caracterizada pelas tecnologias digitais e de informação, estruturas acusatórias que visam não apenas evitar a disseminação de situações de violência, como também gerir as populações constituídas de desviantes, miseráveis, sobreviventes de catástrofes naturais e refugiados de guerras. Não por acaso, o agenciamento das formas de subjetivação da vida em sociedade se tem valido sobretudo de mecanismos biopolíticos que, além de se superporem a mecanismos disciplinares, almejam preservar da contingência e dos riscos inerentes ao porvir eventuais "vítimas", comumente partícipes das instituições de Estado e de classes economicamenteprivilegiadas.Decorrentes do colóquio Subjetivações e Gestão dos Riscos na Atualidade, promovido pelo grupo Epos - Genealogias, Subjetivações e Violências, os ensaios aqui reunidos se dedicam ao exame crítico das principais estratégias que têm sidoempregadas na regulação sociopolítica da vida. Principiados por um percurso genealógico do trauma, entretecido por Joel Birman à luz dos vetores subjetivos da contemporaneidade, inscrevem-se em três eixos temáticos, cujas inter-relações indicadas por seus autores deixam ver a extrema relevância de resistir e divergir das práticas e dos discursos supostamente científicos que se têm associado quer à prevalência dos interesses das indústrias laboratorial e farmacêutica, quer a falácias promotorasde práticas de extermínio e à renhida judicialização de infortúnios.