Este livro investiga as experiências de vida de crianças escravizadas na Freguesia de São Gonçalo dos Campos, entre os anos de 1835 e 1871, a partir de uma ampla análise de fontes escritas e orais. Situada em uma região marcada pela coexistência de economias agroexportadoras e de subsistência, a obra revela como a lógica escravista se manifestava no cotidiano, com destaque para a expressiva presença de mulheres e crianças negras nos trabalhos forçados, especialmente nas lavouras fumageiras. Ao lançar luz sobre a centralidade das crianças no universo escravista local, oferece uma perspectiva sensível e inovadora sobre experiências e formas de inserção nas dinâmicas sociais da época.A partir da metodologia da demografia histórica e da microanálise, a pesquisa evidencia trajetórias repetidas, padrões de exploração e histórias singulares que compõem o tecido social da escravidão infantil no interior da Bahia. Ao reconstruir essas vivências, a autora contribui significativamente para os estudos sobre a escravidão no Brasil, propondo novas abordagens para a história social da infância escravizada e ampliando o campo da historiografia baiana. Trata-se de uma contribuição relevante para pesquisadores e leitores interessados nas complexidades da escravidão e na centralidade das infâncias negras na formação da sociedade brasileira.