Violência Patriarcal: na interface entre Psicanálise e Bioética, mergulha nas raízes profundas da dominação masculina para revelar como o machismo não é apenas um comportamento isolado, mas um projeto cultural contínuo que molda o psiquismo humano. Através de uma "psicanálise de denúncia" articulada à bioética crítica, a obra conecta o sofrimento individual às falhas éticas do ambiente social, tratando a violência de gênero como uma urgência de saúde pública e justiça social.A autora investiga as chamadas "pedagogias do patriarcado", examinando desde mitos bíblicos que introjetam a submissão feminina até a construção social de um núcleo perverso na masculinidade hegemônica. O livro lança luz sobre a violência velada praticada por supostos "homens de bem" - indivíduos integrados à sociedade que utilizam o controle, a indiferença e a manipulação para desvitalizar seus objetos de relação e manter privilégios.A análise avança para os desafios contemporâneos do ciberpatriarcado, explorando como a manosfera e a pornografia institucionalizam a supremacia masculina e fomentam novas formas de abuso digital e ódio às mulheres. Paralelamente, a obra discute a condição das mulheres como "prisioneiras da cultura", utilizando a alegoria de camadas de vulnerabilidade de Florencia Luna e a lente da interseccionalidade. O texto articula vozes do feminismo negro e do transfeminismo revelando as múltiplas modalidades de violência e as potentes formas de "transexistência" que emergem como resistência em corpos femininos e identidades contra-hegemônicos.Violência Patriarcal é, em última análise, uma convocação necessária para reafirmar a psicanálise como ferramenta de ação no mundo e consolidar seu engajamento ético-político diante dos desafios de nosso tempo. A obra oferece subsídios fundamentais para pensar o enfrentamento da violência de gênero, unindo profundidade teórica a um firme posicionamento ético.