Em uma época marcada por profundas transformações culturais, sociais e religiosas, a relação entre tradição e progresso tornou-se um dos grandes desafios postos para o pensamento contemporâneo. Frequentemente compreendida como algo imóvel, destinado apenas à preservação do passado, a tradição corre o risco de ser reduzida a uma relíquia, um "museu de cera" incapaz de dialogar com o progresso. Ao mesmo tempo, a modernidade, muitas vezes identificada exclusivamente como ruptura e inovação, acabou por alimentar impropriamente uma interpretação de si mesma como negação da tradição. A partir de uma reflexão aprofundada sobre alguns aspectos da relação entre a forma ritual e a tradição, este livro propõe a superação dessa dicotomia oferecendo ao leitor uma contribuição para pensar e vivenciar o progresso como tradição e, por sua vez, a tradição como progresso, isto é, uma realidade viva, dinâmica e criativa. Ao recuperar o significado profundo da traditio, o autor demonstra que a transmissão não é simples repetição, mas um processo vital no qual passado, presente e futuro se encontram.