Nas últimas décadas, a implementação de políticas de ação afirmativa, especialmente as cotas, promoveu uma mudança significativa na paisagem das universidades brasileiras, tornando-a mais representativa dos diferentes grupos sociais que compõem a sociedade. Este livro investiga em que medida as cotas reduziram as desigualdades de acesso à Universidade Federal do Paraná (UFPR), uma das primeiras instituições a adotar essas políticas.A autora analisa mais de uma década de dados dos vestibulares da UFPR, mostrando os efeitos das políticas de cotas implementadas, o Plano de Metas de Inclusão Racial e Social (Resolução nº 37/2004-COUN) e a Lei de Cotas (Lei Federal nº 12.711/2012), sobre a oferta e ocupação de vagas, as mudanças no perfil sociodemográfico e educacional das pessoas aprovadas, além de utilizar modelos estatísticos para avaliar o impacto de fatores como raça, origem escolar e nível de escolaridade dos pais, nas chances relativas de aprovação nos processos seletivos.Os resultados mostram que as cotas ampliaram o acesso de estudantes negros e egressos do ensino público, contribuindo para um avanço na democratização do ensino superior. No entanto, o estudo também revela a permanência de desigualdades, com a seletividade dos vestibulares se reconfigurando ao longo do tempo. A obra vai além da análise técnica e propõe uma reflexão sobre o papel das universidades públicas na produção e reprodução das desigualdades sociais.Com base empírica sólida e compromisso com a justiça social, esta leitura é essencial para quem busca compreender os desafios e avanços das políticas de ação afirmativa no ensino superior brasileiro.