Este livro se ocupa com o desenvolvimento histórico do cristianismo - do século II ao IV - período em que se apresentou sob duas configurações: como filosofia, no confronto das filosofias (estoica, epicurista, cética e neoplatônica), e como religião, no confronto das religiões estatais romanas, chegando ao ponto de se tornar a principal religião do Império Romano (do Oriente e do Ocidente).O que nesse período se deu foi um intrincado consórcio entre o religioso, o filosófico e o político. Com as mortes de seus líderes primordiais (todos assassinados entre os anos de 60 e 67, começando por Paulo, Tiago Menor ePedro), a doutrina cristã findou sem um elo agregador, e foi lançada à dispersão. Disperso, o cristianismo se dividiu em várias gnoses, sofreu disputas doutrinárias persistentes e provocou instabilidade e intolerância nagovernabilidade romana. Do século II ao IV, se levantaram Justino, Clemente de Alexandria, Orígenes, Gregório de Nazianzo, Basílio e Gregório de Nissa em busca de unir e harmonizar as várias gnoses em um só credo e uma só fé cristã.Foram eles os primeiros mestres da helenização e recriação de sentidos, promovida em meio a acirradas disputas de cunho lógico, filosófico e teológico, que selaram o destino histórico do cristianismo e, consequentemente, o da filosofia e da ciência.