Compreender como crianças da Educação Infantil enunciam e produzem sentidos para o mundo, e se os seus modos de expressão constituem linguagens sociais típicas de crianças são os objetivos do estudo. Princípios da abordagem histórico-cultural fundamentam a pesquisa. A análise está dividida em duas dimensões relacionadas à expressão verbal: vivência e sincretismo, e uma ligada à expressão gráfica: desenhos. Conclui-se que há um entrelaçamento orgânico entre desenhos e narrativas infantis que revelam aspectos constitutivos de linguagens sociais das crianças. As crianças pequenas participam de mais de um grupo social e aprendem que é preciso utilizar linguagens sociais diferentes de acordo com os interlocutores, a situação e o contexto em que se encontram. As linguagens sociais das crianças são determinadas pelas referências do mundo sociocultural, pelas vivências no mundo, e pelas especificidades do pensamento sincrético. A Educação Infantil tem a responsabilidade e o compromisso ético, político, estético e pedagógico de conhecer, educar, cuidar, formar as crianças, no seu processo de constituição de sujeito histórico e direitos, respeitando e legitimando suas linguagens sociais, vivências, imaginação, realidade, sentimentos, desejos, conhecimentos, curiosidades.Qual é o papel da linguagem na apropriação de sentidos na vida das crianças? Como elas enunciam suas compreensões do mundo? Como e sobre o quê as crianças falam? Vivemos em um mundo de linguagem. Linguagem que nos (con)forma como sujeitos nas relações sociais, culturais e históricas. Linguagem que nos constitui e que constituímos desde que nascemos. Buscamos caracterizar a linguagem social de crianças de uma instituição pública de Educação Infantil, a partir de histórias e desenhos criados para o livro da turma. Histórias e desenhos revelaram um conhecimento compartilhado de família, natureza, brincadeiras, situações cotidianas, papéis sociais, com uma linguagem própria de crianças. Modos de ser criança são apresentados nas enunciações no/sobre o mundo, dentro de um contexto histórico, geográfico, cultural, social específico. As crianças participam ativa e responsivamente da vida pela/com linguagem.