Este livro mergulha na prática cotidiana de um psicólogo inserido no contexto das Medidas Socioeducativas em Meio Aberto (MSEMA), revelando as complexidades, contradições e possibilidades desse campo de atuação. Resultado de uma pesquisa que se entrelaça com uma década de experiência profissional, a obra propõe uma leitura crítica dos saberes e fazeres que atravessam tanto as MSEMA quanto a Política Nacional de Assistência Social (PNAS).Longe de oferecer respostas fáceis ou receitas metodológicas, a obra propõe uma leitura analítica das práticas profissionais e da organização dos serviços, tensionando as fronteiras entre o educativo e o repressivo, o jurídico e o assistencial. O autor utiliza referencial teórico crítico, como Foucault, Donzelot, Castel e Benelli, para investigar os efeitos subjetivadores e normalizadores que permeiam a prática dos trabalhadores sociais, com especial atenção ao psicólogo.A partir do estudo da socioeducação e da análise minuciosa dos dispositivos legais e institucionais que conformam o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase), o autor articula conceitos como disciplina, biopolítica e normalização para denunciar a persistência de uma racionalidade correcional que acompanha os tempose as políticas no Brasil. As Medidas Socioeducativas, ainda que travestidas de inovação, seguem operando dispositivos de controle e responsabilização que individualizam a culpa e despolitizam a pobreza.Dirigido a profissionais que atuam no campo sociojurídico, especialmente operadores do Sinase e da Assistência Social, este livro não oferece respostas fáceis. Ao contrário, convoca o leitor a pensar junto, a problematizar e, sobretudo, a se implicar. O livro se apresenta como uma ferramenta de análise e reflexão para os operadores do Sinase, trabalhadores da Assistência Social, estudantes, pesquisadores e demais interessados no campo das políticas públicas para a juventude.