Afinal, a sensibilidade do ser-poético, que habita Carlos, consiste em garimpar todo resíduo nos acontecimentos da vida e voltar ao sentido puro e sensível construtivo da arte. Tal sensibilidade se pode referenciar como "educação da sensibilidade", a qual demonstra que o poeta, ao ver com os olhos sua realidade a vida insistindo em acontecer, valoriza, poeticamente, por meio do cultivo de uma atenção focada na arte de se encontrar no encontro. Finalmente, a poesia sempre esteve servida à elite brasileira. Oswald de Andrade foi cirúrgico em romper com esse lugar. Logo, a poeta Audre Lorde (1984, p. 36-39), também, iria lembrar: "A poesia não é um luxo. Ela é uma necessidade vital de nossa existência". Em seguida, o poeta Carlos Antônio Conceição [Minego] lembra que a poesia deve compor nossos dias bem como o arroz, o feijão, o café, a batata-doce, o cuscuz, a moqueca baiana-capixaba, o pão de queijo, a broa de fubá... "Um livro de poesia na gaveta não adianta nada. Lugar de poesia é na calçada", assim cantou Sérgio Sampaio. Jessica Tatiane Felizardo