Política não se discute? Livro provoca leitor a decifrar as engrenagens do poder O autor e professor Edson Gabriel Garcia reforça por que entender o poder é indispensável à formação cidadã."Política não se discute." A frase atravessa gerações como uma espécie de regra de convivência, mas é justamente essa ideia que Política: decifra-me ou te devoro!, do educador Edson Gabriel Garcia, publicado pela Cortez Editora, coloca em questão. Em período eleitoral, quando decisões públicas ganham destaque nas conversas, nas telas e nas disputas, a obra parte de uma constatação essencial: não acompanhar a política não significa estar fora dela. As escolhas feitas por governos e instituições interferem em direitos, serviços públicos e condições de vida, enquanto a falta de entendimento sobre esses processos pode favorecer a apatia e afastar o cidadão dos espaços de participação.É a partir dessa proximidade com o cotidiano que o autor propõe uma introdução à alfabetização política, voltada especialmente a leitores que não dominam a linguagem das instituições. Ética, moralidade, poder e cidadania aparecem em uma narrativa informal, sem o peso dos manuais acadêmicos. A polarização ideológica também entra em cena como um fenômeno a ser compreendido, e não simplesmente reproduzido, em um percurso que busca oferecer instrumentos para interpretar diferentes discursos e posicionamentos presentes na vida pública.A escolha pela conversa, e não pela aula tradicional, é parte da identidade do livro. Garcia não se coloca como detentor de respostas definitivas, mas estimula o leitor a questionar, discordar, reclamar e fazer anotações nas margens. Esse diálogo ganha ainda uma dimensão visual nas ilustrações de Kiko Garcia, que recorre à sátira para representar conceitos. A urna eletrônica servida sob uma travessa, o monstro de várias cabeças associado à censura e os macacos que não veem, não ouvem e não falam transformam ideias abstratas em imagens provocadoras e bem-humoradas.Educar-se politicamente faz parte do rol das aprendizagens urgentes da contemporaneidade, algo como preparar-se para viver a cidadania. Nesse sentido, temos que falar em uma Educação para a Política. A Educação para a Política precisa ter, de modo geral, o mesmo tratamento que outros campos do saber: definição de objetivos, levantamento de conceitos e aplicação. E o caminho é o desenvolvimento do pertencimento e responsabilidade, a conscientização e a oportunização de experiências com participação em