É na reflexão projetada para o futuro, por Benveniste (2006 [1974]), de uma análise translinguística dos textos e das obras, através da elaboração de uma metassemântica, que Meschonnic (2008) situa a poética do ritmo, a qual se propõe a trabalhar o que é da ordem do contínuo da linguagem, ou seja, o que não está nas unidades de análise linguística, mas que as perpassa. O pensamento do contínuo da linguagem abarca a análise da significância, considerando o suprassegmental da entonação, os acentos, os brancos, a tipografia, em sua relação com os níveis morfológico, sintático e lexical. Trata-se de abarcar a reflexão acerca da atividade de escuta, tomando também como objeto de análise a voz, o ritmo, as rimas, os ecos prosódicos, o corpo na linguagem. A poética do ritmo abre o pensamento da linguagem para a escuta do movimento do sujeito no discurso, para um movimento que não cessa na cadeia de re-enunciações a que são submetidos os textos e as obras a cada atividade de leitura/escuta. Essa atividade é tomada como plural, na medida em que é atravessada pelas relações de subjetividade, intersubjetividade e transsubjetividade.