Ainda que a teoria e a filosofia política tradicionais não admitam, a legitimidade do poder político se funda em grande medida naquilo que se convencionou chamar de teologia política. Trata-se de uma chave de leitura filosófica capaz de superar o ocultamento e o consequente desconhecimento acrítico das complexas relações entre religião e política, fé e poder. Nessa perspectiva, este livro lança mão da teoria da encriptação do poder para apresentar uma breve genealogia da ideia de teologia política, discutindo suas principais tendências e correntes, tanto clássicas (Schmitt, Benjamin e Taubes) quanto atuais, incluindo aquelas que, feministas, negras e decoloniais, surgem a partir de processos de decriptação do poder e, abandonando a matriz soberana, antagonizam o poder político-econômico. Também são analisados fenômenos como o cristofascismo, a teologia da prosperidade e os neopentecostalismos na política, entre outros temas importantes no mundo e, em especial, no Brasil contemporâneo.