"Qualquer um" é uma expressão que surge mais de uma vez em todo nome é escasso: formulação que, mais do que os diversos nomes de artistas relacionados, apresenta-se como uma chave para a leitura. Aqui, o autor cede a sua voz a um mosaico composto porvozes alheias. O resultado é uma espécie de autorretrato fundado na escassez e na precariedade da identidade, em que o retratado parece mais interessado em demonstrar como o seu rosto e o seu nome se diluem na experiência cotidiana. bachEusei que Deus é violento.Vi isso nos rostosdos meus filhos mortos,pelo modo como a luzclara, andrajosa,toca os seus corpos. beckettA planície cinza. A árvore seca.O cenário só está completoquando desapareço. SOBRE O AUTOR: DanielFrancoy (Ribeirão Preto, 1979) é poeta e prosador. Publicou os livros Identidade (prêmio Jabuti na categoria poesia, 2017), A Invenção dos Subúrbios (semifinalista no prêmio Jabuti na categoria crônica, 2019), O Ganges Represado, O Velho Que Não Sente Frio e Outras Histórias, O Livro do Martim, Nos domínios do Cerrado (semifinalista no prêmio Jabuti na categoria conto, 2025). Em Portugal, publicou os livros de poesia Em Cidade Estranha e Calendário, e a plaquete Este jardin fue construido, veiculada no Uruguai e Argentina.