Com elegância e rigor, os autores mergulham juntos numa das questões mais fascinantes para a psicanálise: a língua materna e o seu papel na constituição do psiquismo. Tema incontornável para quem se interessa pelos enigmas da linguagem humana e, portanto, do inconsciente.A vida começa por um grito. Esse primeiro berro, que pode parecer apenas um pedido de ar, é também a abertura pela qual o mundo ingressa no corpo: sopro que inaugura não só a vida, mas a sobrevida na linguagem. É dessa cena inaugural, em que necessidade e sentido se entrelaçam, que este livro parte, para acompanhar a travessia do infante ao falante, mostrando como as línguas que recebemos dos outros articulam corpo, desejo e aquilo que chamamos de sujeito.Obra de rara erudição, em que linguística e psicanálise são indissociáveis, "materno" aqui não é só o primeiro idioma adquirido, mas o conjunto de ritmos e texturas que nos chegam de quem nos cuida e nomeia. É um primeiro encontro com a linguagem, que se inscreve no corpo e ajuda a nos reinventar, próxima e estranha: uma língua que nos forma antes mesmo que possamos reconhecê-la como língua e como nossa.Apoiados numa formação psicanalítica sólida e recorrendo à literatura, à filosofia e aos estudos linguísticos, Nina Virgínia de Araújo Leite e Paulo Sérgio de Souza Jr. releem criativamente episódios centrais da psicanálise e os reinscrevem como modos de pensar a convivência entre o próprio e o estrangeiro que cada falante carrega. "Fazendo uso de uma bibliografia excepcional, circulando com desenvoltura por autores de diferentes áreas, a dupla é coerente com a complexidade do tema, evitando cair em interpretações reducionistas. Publicação a ser comemorada por todos que se interessam pelo que a psicanálise tem a dizer sobre a constituição do sujeito" Vera Iaconelli