Nesse livro acompanhamos um percurso que articula pentecostalismo, catolicismo popular, quilombos e religiões afro-brasileiras como campos em constante trânsito. O que emerge dessa análise é um mapa de tensões, aproximações e traduções.(...) A pesquisa de campo no Terreiro Ilé Axé Alaroke Bàbá Ajagunan (que Marina explorou com ricos detalhes no livro Se não for pra incomodar, nem chame Exu: corpo, axé e epistemologia nas tradições afro-brasileiras (2020), publicado pela Editora Recriar) e na Comunidade Quilombola do Sítio Alto é fundamento epistemológico; conhecimento produzido na implicação, na escuta e na presença. Essa escolha metodológica sustenta uma crítica consistente às hierarquias epistêmicas herdadas da modernidade, aproximando olivro de perspectivas decoloniais que reivindicam a legitimidade de saberes historicamente silenciados.(...) Portanto, ler este livro é aceitar o convite de habitar as encruzilhadas. É aceitar o desafio de se dispor a escutar outras formas de dizer, sentir, dar sentido e viver. Marina Corrêa nos oferece, com rigor e delicadeza, uma escrita que não apenas analisa, mas também desloca - e, ao fazê-lo, nos lembra que toda teologia viva nasce do corpo em movimento. Do corpo que insiste em existir.