Este é o segundo volume da coleção A grande recusa. São 5 textos de Marcuse sobre ecologia, seguidos de ensaios críticos por filósofas brasileiras e estrangeiras.A publicação de Ecologia e revolução em Herbert Marcuse no ano da COP30 em Belém não éfortuita. Exatos 30 anos depois da primeira edição da COP em Berlim, as preocupações mundiais com o aquecimento global, as emergências climáticas e a justiça ambiental continuam a desafiar governos, organizações, cientistas, formadores de opinião eativistas. Isso porque seus efeitos tendem a se agravar em amplitude e intensidade, tanto ao Norte, quanto ao Sul global.A contradição entre a proliferação de discursos ecológicos e as atividades que ameaçam e destroem ecossistemas foi apontada porHerbert Marcuse já em 1972. Em conferência publicada aqui como "Ecologia e revolução", o filósofo mostra algo extremamente preocupante: a apropriação das pautas ambientais pelo sistema capitalista na forma da "lavagem verde", o marketing da imagemecologicamente responsável de marcas e produtos, mas sem adotar práticas ecológicas.A posição de Marcuse em relação à ecologia é bastante original. Primeiro, porque natureza e cultura não estão em oposição, mas são partes de uma totalidade aberta epotencialmente reconciliáveis. Segundo, porque as reflexões sobre natureza ambiental refletem sempre as relações desta com a natureza interna dos sujeitos. Assim, ecologia tem eco em nossa subjetividade.Para Marcuse, libertar a natureza é recuperar nossas forças vitais postas em risco e desperdiçadas pela racionalidade instrumental, monetária e guerreira do sistema capitalista, que põe tais forças a seu serviço em intermináveis performances competitivas. Marcuse insiste na necessidade de romper com a experiência mutilada do mundo e na importância política de novas sensibilidades que recusem o controle - que alcança níveis pulsionais profundos -, para a vitória na revolução sociopolítica.