Ao elaborar esta coletânea, nosso objetivo foi congregar trabalhos que articulassem pesquisas historiográficas e o ensino de história, a partir de percepções múltiplas de resistência. A resistência pode ser pensada como objeto da História, mas também no seu ensino, seja confrontando discursos estabelecidos ou iluminando processos históricos de fustigação dos poderes constituídos em diferentes temporalidades. Neste sentido, destaca-se a reflexão historiográfica de diferentes grupos sociais, especificamente negros e indígenas, que ainda hoje são colocados pela sociedade e pelas políticas públicas em segundo plano. Em tempos de discursos negacionistas e reducionistas, faz-se necessário refletir os mundos nas suas relações sociais como um exercício que prima por considerar os métodos da História, as leituras e releituras acumuladas pela historiografia, combatendo as simplificações que minimizam os movimentos de resistências. Embora saiba-se que a escrita da História é sempre a partir do presente e sua reescrita é inerente à construção do saber histórico, é essencial a construção de novas reflexões e questionamentos, assim como novas elaborações sobre os povos que, de forma inédita, se encontraram e estabeleceram as formas de ser, de viver e de trabalhar a partir do século XV, e que se apresentam como protagonistas ainda nos dias atuais.