Entre os corredores de um hospital geral, onde a clínica busca nomear o sofrimento psíquico, esta obra propõe uma indagação central: o que, afinal, denominamos loucura?A Cara da Loucura apresenta uma análise crítica que articula saúde mental, território e identidade social, evidenciando que o sofrimento psíquico não pode ser compreendido de forma dissociada das determinações sociais que o atravessam. Ao longo da obra, o autor mobiliza recursos metodológicos da epidemiologia psiquiátrica como ferramenta analítica, buscando revelar padrões, desigualdades e marcadores sociais implicados na produção da loucura contemporânea.Mais do que descrever fenômenos, o estudo tensiona a centralidade do modelo biomédico, problematizando a redução da experiência humana a classificações diagnósticas e evidenciando a complexidade dos contextos sociais, históricos e políticos que conformam o adoecimento mental.Ao articular rigor metodológico e sensibilidade crítica, o livro convida o leitor a ultrapassar a leitura individualizante do sofrimento, reconhecendo, em cada dado, a expressão concreta de trajetórias de vida e seu alinhamento com a realidade.Assim, esta obra se inscreve como uma contribuição ao campo da saúde mental, propondo um deslocamento ético, teórico e político na compreensão da loucura na contemporaneidade.